Em setembro de 2026, cada organização portuguesa monitorizada pela Check Point Research enfrentou, em média, 3.181 tentativas de ciberataque por semana. É mais 61% do que um ano antes e 25% acima da média europeia. Para uma pequena empresa, a pergunta já não é
se vai ser alvo. É
quando, e se terá meios para pagar a recuperação.
Portugal está acima da média europeia e mundial
Os números mais recentes colocam Portugal entre os países europeus com mais pressão de ataques por organização, praticamente empatado com Itália (
DNOTICIAS.PT, 8 out. 2026, dados Check Point Research).
| País / região |
Ataques semanais por organização (set. 2026) |
| Itália |
3.190 |
| Portugal |
3.181 |
| Média mundial |
2.803 |
| Média europeia |
2.545 |
| Espanha |
2.507 |
| França |
1.815 |
Estes valores medem tentativas detetadas pelos sistemas de segurança, muitas delas bloqueadas. Mas mostram o volume de "portas" que os atacantes testam todas as semanas. Basta uma ficar aberta.
O risco também mudou de forma. Em 2025, Portugal registou apenas 28 ataques de ransomware divulgados publicamente, segundo a Thales (
ECO, 18 fev. 2026). O perigo para as PME está sobretudo no dia a dia: phishing, roubo de credenciais, faturas falsas e acessos vendidos na dark web.
"Somos demasiado pequenos para interessar": o mito mais caro
Segundo o Hiscox Protection Gap Report, 35% das PME portuguesas sem seguro cyber acreditam ser demasiado pequenas para serem alvo. No mesmo estudo, cerca de 54% das PME portuguesas dizem ter sofrido pelo menos um ciberataque no último ano (
Jornal Económico, 29 jan. 2026).
Os atacantes usam ferramentas automáticas que varrem milhares de empresas ao mesmo tempo. Não escolhem pela dimensão, escolhem pela vulnerabilidade. E uma PME pode ser a porta de entrada para um cliente maior: em outubro de 2026, um ataque a um fornecedor informático expôs dados não classificados dos serviços de informações portugueses.
Há ainda a pressão regulatória. O novo Regime Jurídico da Cibersegurança (Decreto-Lei n.º 125/2025, que transpõe a Diretiva NIS2) está em vigor desde 3 de abril de 2026 (
Forbes Portugal). As entidades abrangidas têm de gerir o risco da sua cadeia de fornecimento, por isso vão exigir mais garantias aos fornecedores, incluindo PME.
O que um seguro cyber cobre, na prática
Uma apólice de ciber-risco divide-se em dois blocos: os prejuízos da própria empresa e a responsabilidade perante terceiros.
| Cobertura |
O que paga |
Exemplo numa PME |
| Resposta a incidentes 24/7 |
Peritos informáticos, forenses e jurídicos desde a primeira hora |
O servidor fica bloqueado numa sexta à noite |
| Recuperação de dados e sistemas |
Custos de restaurar ficheiros, reinstalar e limpar sistemas |
Recuperar a base de dados de clientes a partir de cópias |
| Perda de lucros |
Faturação perdida e custos extra durante a paragem |
Uma loja online fica 5 dias sem vender |
| Extorsão cibernética |
Gestão do processo e negociação por especialistas |
Os atacantes ameaçam divulgar dados de clientes |
| Notificação e gestão de crise |
Avisar a CNPD e os titulares dos dados, comunicação e reputação |
Fuga de dados de 2.000 clientes |
| Responsabilidade por violação de dados |
Indemnizações a terceiros lesados e defesa jurídica |
Um cliente processa a empresa pela exposição dos seus dados |
| Segurança de rede |
Danos causados a terceiros por malware transmitido |
Um vírus passa do seu email para o sistema de um cliente |
| Fraude por engenharia social (extensão) |
Transferências feitas por engano, até um sublimite |
Fatura falsa de um "fornecedor" paga por transferência |
Dois pontos merecem atenção no mercado português. O reembolso do resgate em si não é coberto, porque a legislação nacional veda essa garantia (
ECOseguros, entrevista à Innovarisk). E as coimas, incluindo as do RGPD, também não, porque o regime do contrato de seguro proíbe segurar responsabilidade contraordenacional. A defesa jurídica no processo pode, no entanto, estar incluída.
O que normalmente fica de fora
- Atos de guerra e, em muitas apólices, ataques atribuídos a Estados.
- Falhas de infraestrutura externa, como cortes de eletricidade ou de internet não causados por um ataque.
- Incidentes anteriores à apólice ou já conhecidos na data da contratação.
- Melhorias de sistemas: a apólice repõe o que existia, não paga um upgrade.
- Incumprimento das medidas de segurança declaradas no questionário, como autenticação multifator ou cópias de segurança.
Como a seguradora avalia a sua empresa
O prémio depende do setor, da faturação, da robustez da segurança informática, do limite de indemnização e das coberturas extra. As seguradoras pedem cada vez mais detalhe no questionário de subscrição. Autenticação multifator, cópias de segurança testadas e separadas da rede, sistemas atualizados e formação dos colaboradores pesam no preço e até na aceitação do risco.
O fator humano conta muito. Segundo a Innovarisk, 67% dos sinistros cyber começam numa falha humana, como um clique num email de phishing.
Antes de contratar: 6 perguntas a fazer
- Quantos dias consegue a empresa funcionar sem os sistemas informáticos?
- O limite de indemnização cobre pelo menos uma a duas semanas de paragem, mais custos de recuperação e notificação?
- Qual é a franquia temporal da perda de lucros (quantas horas de paragem até a cobertura começar)?
- Que sublimites se aplicam à extorsão e à fraude por engenharia social?
- A linha de emergência funciona 24 horas e em português?
- As respostas ao questionário correspondem à realidade? Uma declaração inexata pode pôr em causa a indemnização.
Reveja a apólice todos os anos. Um terço das PME não revê os seus seguros há mais de três anos, segundo a Hiscox, e o risco cyber muda mais depressa do que qualquer outro.
| Como a Exato Seguros pode ajudar
Na Exato Seguros analisamos a exposição real da sua empresa, comparamos apólices de várias seguradoras e ajudamo-lo a preencher o questionário de risco com rigor. Se o pior acontecer, estamos ao seu lado na participação e no acompanhamento do sinistro.
Fale connosco e peça uma análise de ciber-risco para a sua PME.
exatoseguros.pt A medida certa. |
FONTES
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